GEOGRAFIA


ÍNDICE


Vista Parcial de Lavras do Sul - FONTE: Murilo Góes (2012)

Dados Introdutórios

Localização de Lavras do Sul no Estado do Rio Grande do Sul - FONTE: Raphael Lorenzeto de Abreu / Wikpédia
Localizado na Microrregião da Campanha Meridional, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Município de Lavras do Sul, emancipado de Caçapava do Sul no dia 09 de maio de 1882 (ou seja, em 2017, completa 135 anos de existência), é o maior do Rio Grande do Sul com pequeno porte e em área (7.899 habitantes em 2015, distribuídos em uma área de 2.601 km²). Está localizado entre Caçapava do Sul (ao norte) e Bagé (ao sul), além de fazer divisa com Dom Pedrito, São Gabriel, Santa Margarida do Sul, Vila Nova do Sul e São Sepé, formando cerca de 400 km de perímetro municipal. No município, mais precisamente na divisa com Dom Pedrito, estão as nascentes formadoras do Rio Camaquã. Possui uma grande riqueza hidrográfica, geológica e mineral, com seus acidentes geográficos sendo objetos de estudos de pesquisadores de vários países.

As paisagens, típicas do Pampa Gaúcho, são peculiares, onde encontramos tabuleiros extensos, morros arrendondados, coxilhas e, nas regiões mais distantes da sede municipal, banhados e planícies. Há a ocorrência de pequenas serras, como a da Mantiqueira e a do Ibaré, resultantes dos dobramentos antigos e da formação do planalto Sul-Rio-grandense.

A vegetação é diversa e variada. Há espécies nativas e de outras regiões espalhadas pelo território lavrense. A fauna é ampla: pelo menos 180 espécies de aves já foram registradas no município, podendo haver bem mais. Além disso, grupos de animais como mamíferos, anfíbios, répteis e insetos apresentam abundância de registros.

A hidrografia lavrense tem como símbolo o fato de o Município (região da Meia Lua, divisa com São Gabriel) ser o divisor de águas de três Bacias Hidrográficas do Rio Grande do Sul: Guaíba, Atlântico Sul e Santa Maria / Uruguai). O Marco Gaúcho das Águas foi construído em 2004 pelo Governo Estadual para simbolizar a união das águas gaúchas.

O clima de Lavras do Sul apresenta temperatura média de 12°C no inverno e 24°C no verão (a média anual é de 18°C). Cerca de 1.200 a 1.500 mm de chuva são registrados em média todos os anos, segundo o sr. Luiz Fernando Saraiva de Souza, monitor oficial da pluviosidade no município. Podem ocorrer cerca de 15 a 30 geadas durante os meses mais frios. Não há estações meteorológicas oficiais em Lavras do Sul, mas a Rádio Pepita FM informa constantemente os dados de temperatura durante sua programação. O relógio do Banco Sicredi, na Praça das Bandeiras, é outra fonte de informações sobre as temperaturas em tempo real.

Lavras do Sul apresenta um grande potencial turístico. Além dos turistas que possuem familiares na cidade, há uma grande movimentação de pessoas de cidades vizinhas e também de outros locais do Estado e do País, sobretudo nos meses de verão, com o objetivo de acampar no Balneário do Paredão ou de passar o Carnaval e as férias de verão na cidade.

Topografia e Relevo

Com relação às altitudes dentro de sua superfície, Lavras do Sul apresenta cotas, na sua metade centro-oriental, com números que variam entre 200 e 460 metros em relação ao nível do mar. A sede do município está situada numa média de 300 metros (277 metros junto às margens do Arroio Camaquã das Lavras, e entre 320 e 380 metros, nos pontos mais elevados, como na Avenida Cacildo Delabary, nos altos da Vila da Olaria e junto ao Sindicato Rural, na saída para São Gabriel. O Distrito do Ibaré tem uma altitude média de 250 metros.

Nos setores norte e sul da porção centro-oriental, há um extenso planalto, com diversos cerros e morros. As maiores elevações encontram-se nessa região.

Em Lavras, podemos notar uma relevante observação geográfica: entre o Ibaré e a Sede existe um divisor natural de águas entre as bacias hidrográficas do Camaquã (integrantes do sistema Sudeste [ou Atlântico]) e do Rio Santa Maria (integrante da bacia do Uruguai, inserida no sistema hidrográfico do Estuário do Prata). Nesta área, com média de 350 metros de altitude, além de belas formações rochosas, bastante antigas e erodidas, podemos encontrar diversas fazendas, utilizadas principalmente para a criação de gado.


Perfil topográfico ilustrativo do Lavras do Sul - Elaborado pelo autor

Nos extremos ocidentais do município (meandros do Rio Santa Maria – Passo da Santa Maria –, na divisa com Dom Pedrito) as altitudes já se apresentam bem mais modestas – cerca de 120 a 130 metros. No extremo ocidental (divisa com Caçapava) a média varia entre 215 e 150 metros.

A sede municipal de Lavras do Sul está situada a uma altitude média de 277 metros e encontra-se no chamado Escudo Sul-Rio-Grandense, mas a porção ocidental do município, chamada localmente de "fundo", assemelha-se mais com a Região da Campanha, com campos limpos, relevo mais plano e pouca vegetação. O ponto extremo dessa porção (Passo da Santa Maria) fica a mais ou menos 110 km a oeste da sede municipal, na divisa com Dom Pedrito e próximo ao território de Rosário do Sul. Uma considerável parte do município (porção centro-oriental) apresenta elevações acima de 300 metros, podendo chegar a 440 metros em algumas pequenas serras, como a Serra da Mantiqueira (onde se localiza o Cerro da Mantiqueira, com 399 metros de altitude), a Serra do Batovi, a Coxilha do Tabuleiro e o Rincão do Inferno. A cidade está situada entre três pequenas serras: Santa Tecla (ao norte de Bagé), Batovi (ao sul de São Gabriel) e de Caçapava (a leste).

Vegetação e Ambiente

Segundo o geógrafo Jurandyr Ross, em sua obra Natureza e Sociedade nos Espaços Agroambientais do Brasil (2006), os campos do Sul do Brasil desenvolvem-se sobre rochas metamórficas e ígneas, em regiões de baixa declividade. A região de Lavras apresenta diversas coxilhas (o mais importante elemento morfológico da Campanha), além de vegetação densa e associada às Serras de Sudeste ou, até mesmo, a resíduos da vegetação característica dos planaltos da Bacia do Paraná. No leste lavrense, a vegetação é mais densa, com os chamados campos sujos (ou paisagem de campos mistos). Os campos limpos, compostos por gramíneas, gramíneas lenhosas s e grandes extensões de vegetação plana, alternadas com capões de mato (pequenos aglomerados de mata e altas árvores) predominam na porção ocidental, embora podemos encontrar estas morfologias na porção central.

Zoneamento ambiental do território lavrense:

  • Extremo oeste do Município - campos limpos
  • Centro e norte do Município: campos subarbustivos
  • Zonas do centro, norte e sul do Município: campos mistos
Fauna: A fauna de Lavras do Sul é bem diversificada, típica da região da Campanha Gaúcha. Além de uma grande quantidade de cães e gatos, podemos encontrar, dentro na zona urbana, animais como lebres, caturritas, sabiás, urubus, pica-paus, quero-queros, beija-flores, flamingos, rãs, sapos, escorpiões, cobras, aranhas, lagartos, corujas, bois, vacas, cavalos e diversas espécies de insetos (que podem ser vistos no verão, nas paredes das casas, com as luzes ligadas). Na zona rural, além desses animais anteriormente citados, podemos avistar exemplares de ovelha, cabra, touro, coelho, codorna, galinha, rã, cabra, maçanico (espécie de ave), papagaio, mulita (tatu), tartaruga, ema, veado, zorro (raposa), zorrilho (gambá), corvo, preá e peixes (carpas, tilápias), entre outros animais. Assim como em outros municípios das Serras do Sudeste, são encontradas espécies animais ameaçadas de extinção, tais como o papagaio-charão, o gato-mourisco, o bugio e o tamanduá-mirim.

Hidrografia

Os principais rios do Município são o arroio Camaquã das Lavras (que banha a sede municipal, e que juntamente com os arroios do Jaques e do Hilário, forma o rio Camaquã), arroio Ivaró, arroio Taquarembó e arroio Santo Antônio, que desembocam no Rio Santa Maria, que banha uma pequena porção no extremo oeste do município, na divisa com Dom Pedrito. Podemos classificar o município em duas regiões hidrográficas distintas:

Bacia Oriental: formada pelo rio Camaquã Grande e os arroios Camaquã das Lavras, Nazária, Imbicuí, do Tigre, Natálio, da Mantiqueira, Camaquã dos Macedos, Divisa, do Meio, do Jacques, do Hilário e Maricá, entre outros;

Bacia Ocidental: formada pelo rio Santa Maria e pelos arroios Taquarembó, Jaguari, do Salso, Ivaró e Santo Antônio, entre outros.

O Rio Camaquã possui suas nascentes em Lavras do Sul e municípios vizinhos, fazendo com que a porção oriental do município pertença à bacia hidrográfica do mesmo. Possui cerca de 430 km de extensão, passando por municípios como Santana da Boa Vista, Encruzilhada do Sul e Amaral Ferrador, e desembocando na Laguna dos Patos, na divisa de Camaquã com São Lourenço do Sul.

A Bacia do Rio Camaquã possui uma superfície de 21.517,58 km², correspondendo a 7,6% do Estado, abrangendo 26 municípios e cerca de 255 mil habitantes.

A qualidade da água é satisfatória em quase todos os cursos d’água. No entanto, há uma grande quantidade de lodo em boa parte dos mesmos. Apenas há pequenos focos de poluição no trecho em que o Camaquã das Lavras cruza a zona urbana. O transporte de sedimentos forma diversos bancos de areia e praias fluviais. No Balneário do Paredão, por exemplo, há uma concentração de areia e plantas, já considerada como ilha. A Praia do Salsinho, propriedade particular localizada próxima ao Paredão, apresenta uma grande concentração de minerais (quartzitos e granitos), além de uma extensa e espessa faixa de areia.

Tanto a Sede como o Ibaré são banhados por arroios de características idênticas. A mata ciliar cobre as margens dos principais arroios, estando ao lado de grandes depósitos de sedimentos.

Os arroios Camaquã Chico (montantes dos afluentes formadores entre Dom Pedrito e Bagé), do Jaques, do Hilário e Camaquã das Lavras juntam-se para dar origem ao rio, na divisa de Lavras com Caçapava e Bagé.

Arroio Camaquã das Lavras, junto à Praia do Paredão - FONTE: Portal Farrapo

Clima



Gráficos e tabelas sobre o Clima de Lavras do Sul - FONTE: CLIMATE-DATA.org, acesso em 04/05/2016.

O clima é subtropical úmido, com as quatro estações do ano bem definidas, verões e invernos bem rigorosos (no verão, as temperaturas podem chegar próximas dos 40ºC, e no inverno, as médias são de 6ºC a 12ºC, podendo chegar facilmente a 0ºC, com grande ocorrência de geadas).

No Município existe uma pluviosidade significativa ao longo do ano. Mesmo o mês mais seco ainda assim tem muita pluviosidade. 18.0 °C é a temperatura média. Pluviosidade média anual de 1408 mm. Dezembro é o mês mais seco com 96 mm. Em Setembro cai a maioria da precipitação, com uma média de 135 mm. Janeiro é o mês mais quente do ano com uma temperatura média de 23.7 °C. Ao longo do ano Junho tem uma temperatura média de 13.3 °C. É a temperatura média mais baixa do ano. 39 mm é a diferença de precipitação entre o mês mais seco e o mês mais chuvoso. 10.4 °C é a variação das temperaturas médias durante o ano.(13) Não há estações meteorológicas oficiais no Município, mas o engenheiro agrônomo Luiz Fernando Saraiva de Souza (Nanana) mantém, na propriedade da Chácara do Laranjal, próxima à Sede Municipal, um espaço para a medição da pluviosidade (volume de chuvas), cujos resultados são bastante divulgados pelos órgãos locais de mídia.

A Rádio Pepita FM também contribui com o fornecimento de informações meterológicas, transmitindo de hora em hora dados sobre a temperatura entre 6h e 24h (o horário de funcionamento da rádio).

Segundo o Atlas Eólico do Rio Grande do Sul, de 2002, a precipitação média do município de Lavras do Sul está em 1.500 e 1.600 mm anuais. Em alguns pontos isolados do território lavrense, a temperatura média anual pode chegar a apenas 14°C. Entretanto, a temperatura média geral anual fica entre 16°C e 18°C.

Toponímias e Acidentes Geográficos

* Rios e arroios: Santa Maria; Ivaró; Santo Antônio; Espinilho; Mantiqueira; Ibaré; Cambi; Imbicuí; Jaguary [1]; Maricá; Salsal; Salso; Mata-Olho; do Tabuleiro; Taquarembó; Taquarembozinho; Três Passos; das Canas; Camaquã-Chico (2); Maricá (3); América; dos Macedos; do Jacques; do Hilário; da Nazária; Pelado; de São Domingos; dos Tigres; Grande [4]; Camaquã das Lavras.

* Banhados: dos Correa; do Salso.

* Cerros (morros): Formoso; do Padre; do Tigre; do Posto; Partido; Branco; Pelado; do Diabo; da Mantiqueira; Rico; do Rodeio; do Sacristão; da Telha

* Formações Rochosas: Toca do Eusébio; Toca do Corvo; Rincão do Inferno (6); Quinca Silva.

* Serras: do Acampamento; do Jaguari; do Ibaré; do Tabuleiro; do Batovi; Acampamento Velho (ou Baberaquá).

* Passos (5): da Areia; da Cria; da Nicota; da Tuna; da Várzea; das Pedras; de Dona Flora; do Barracão; do Boa Ventura; do Camaquã; do Hilário; do Guterres; do Jaguari; do Jaguarizinho; do Lagoão; do Laurentino; do Marmeleiro; do Salso; do Tira-Ceroulas; do Trindade; Ignácio Bibiano; dos Carros; dos Enforcados; dos Moirões; Palha.

* Coxilhas: Seca; do Jacques; do Tabuleiro; de São Sebastião; do Maricá; do Astrogildo; do João Caminha; da Talavera; do Fogo; do Barro Vermelho.

* Lagoas: Formosa; Grande; da Nação; dos Tordilhos; das Três Águas; das Pedras; da Capivara; da Crina; da Meia Lua; da Velha Brita; da Pilheta; Negra; do Jaguari; do Lageado.

* Praias fluviais: do Paredão; do Salsinho (6); da Itaóca (6).

* Ilha: Banco de areia (Praia do Paredão).

* Rincões, fazendas e estâncias (7): Bonito; do Jaguary; da Cria; da Cruzinha; dos Barcelos; Encerrados; dos Índios; dos Mota; dos Rocha; dos Saraiva; dos Soares; Continente; do Cabo Ulisses; do Sobrado; Serro Formoso; Estância Velha; Quero-Quero; São Marcos; São Domingos; das Casuarinas; dos Vieiras; Morada da Sexta Felicidade.

* Sangas: da Caneleira; da Cardoza; da Matilde; do Cemitério; do Engenho (8); do Mata-Fome.

* Zonas e localidades: São Vicente; São Domingos; Petrarcas; Pontas de Camaquã; Pontas de Lageado; Quatro Estradas; Parada do Saibro; Parada João Cândido; Marmeleiro; Boa Vista; Cerrito; Lagoão I e II; Passo dos Carros; Pontas do Salso; Linhares; Ibaré (9); João Câncio; Três Vendas; Três Estradas; Jaguari I e II; Rincão dos Saraivas; Rincão dos Soares; Tabuleiro; Caleira; Campos dos Maya; Mantiqueira; Cancha do Barro Vermelho; Cardosa; Forquilha de Pedra; Invernada dos Sete Pedaços; Curva do Umbu; Estrada do Espinilho; Ladislau Netto (10); Marco Branco; João Câncio; Marco de Ferro; Meia-Lua; Timbaúva; Tunas; Valos; Várzea Grande; Victor Budó; Vila dos Corvos; Vista Alegre; Volta Grande; Serrito de Ouro; Passo da Pedra; Encerrados; Granja Ivo Balzan; Rincão dos Mota; Subida do Acampamento; Três Passos (11); Fundo (12).

Notas e Referências

(1) Atualmente é denominado Pirajacá. Em alguns documentos antigos vamos encontrá-lo com denominação de JAGUARIMIRIM, devendo ser esta a mais condizente. (TEIXEIRA, 1992, vol. 2, p. 72).

(2) Também conhecido como Camaquãzinho (...) (idem).

(3) Este e os arroios seguintes também podem ser denominados pelo prefixo Camaquã.

(4) Denominação vulgar do arroio Camaquã-Chico.

(5) Lugares de altitudes mais baixas do que as dos terrenos que o circundam, por onde se pode atravessar um rio, arroio, valo, cerca etc. (Adaptado de: UOL Busca, acesso em 16/10/2008).

(6) Propriedades particulares.

(7) A maioria das toponímias citadas nesta lista são propriedades particulares. Esta relação de locais tem caráter exclusivamente demonstrativo, face às inúmeras fazendas e propriedades existentes em todo o território de Lavras do Sul.

(8) Também denominada João Moreira.

(9) Também denominado Segundo Distrito.

(10) Segundo o autor Otávio F. Correa, em sua obra Dicionário Geográfico do Rio Grande do Sul, é um local com minas de ouro (adaptado de TEIXEIRA, 1992, vol. 2, p.79).

(11) Nascentes do arroio Camaquãzinho em campos da antiga estância do Brigadeiro Camilo Mércio Pereira. (TEIXEIRA, 1992). Formam uma tríplice divisa: Lavras, Bagé e Dom Pedrito.

(12) Região extrema do Município, divisa com Dom Pedrito. Anteriormente sem comunicação com aquela cidade, constituía-se num fundo esquecido e sem trânsito nas estradas (TEIXEIRA, 1992). É conhecida também como Tatsch (família estabelecida na região, que realiza uma grande produção de arroz).

(13) CLIMATE-DATA.org, acesso em 04/05/2016.

ATUALIZADO EM: 04/05/2016

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