Garimpeiro em Lavras do Sul - 1982 (FONTE: Revista do Centenário de Lavras do Sul)


Texto sobre mineração do ouro em Lavras do Sul (empresa Amarillo Gold), traduzido pelo Panorama Lavrense e publicado no Portal Farrapo, em 2012.

Nas terras do Escudo Uruguaio-sul-rio-grandense, entre coxilhas, cerros e restos aplainados de maciços cristalinos (AB SABER, 2003, P. 113) existe uma grande diversificação de ecossistemas: matinhas subtropicais, faixas de campos rupestres, bosques de espinilho e transições para pradarias mistas e florestas-galeria. Ocorrem, ainda, estepes rupestres sobre alongadas faixas de quartzitos (...). (1)

A região geomorfológica na qual Lavras se insere (ou seja, o Planalto sul-rio-grandense, ou Escudo Sul-Rio-grandense) apresenta uma litologia composta por rochas como gnaisses, anfibolitos, migmatitos, dolomitos, mármores, granitos filitos e quartzitos, e pelos solos, denominados neossolos litólicos, neossolos câmbicos, argissolos vermelhos e afloramentos rochosos. O Escudo Sul-Rio-Grandense é formado por terrenos antigos chamados de Pré-Cambrianos (compreende a parte mais antiga e de maior duração da Terra, que corresponde a cerca de noventa milhões de anos; sua formação é de solos cristalinos, rochas pré-aquáticas). (FREITAS, 1980).

Há no Município a ocorrência de uma grande variedade de rochas, tanto ígneas (ou magmáticas; de origem vulcânica ou do interior da terra), quanto sedimentares (de origem de processos de decomposição de outras rochas) ou metamórficas (de origem em processos de transformação de rochas), dando-lhe a condição de uma região rica em recursos minerais. Podem ser encontradas rochas, como granitos gigantes, mármores, quartzos, basaltos, arenitos, entre outras.

A região de Lavras está situada numa das fronteiras do Escudo Sul-Rio-Grandense, na porção sudeste do RS, cujas rochas são de origem pré-cambriana, ou seja, do início da formação geológica da Terra. Muitos pesquisadores e geólogos brasileiros e estrangeiros vêm a Lavras para conferir de perto as riquezas minerais, além de realizar estudos, trabalhos de campo e análise da geologia de Lavras, que se diferencia da do resto do Estado por sua diversidade e riqueza mineral.

Embora se afirme que o ouro de Lavras se esgotou, alguns estudos e pesquisas constataram que no interior do município e abaixo do solo existem jazidas com ótimo potencial para exploração.

A respeito das formações rochosas encontradas, não só em Lavras do Sul, como também no entorno do Município, podemos citar os exemplos do Granito Jaguari (formado há 507 milhões de anos de atrás) e o núcleo do Complexo Granítico de Lavras do Sul (de origem de 640 milhões de anos).

Solos.

Os solos de Lavras do Sul são diferenciados e diversificados em relação a outras regiões gaúchas. Embora apresentem menos condições para uma agricultura mais ampla, os solos lavrenses possibilitam uma pecuária de alta qualidade, com campos nativos e preservados (mais de 80% da área territorial).

Há cinco diversificações dos solos para usos agropecuários em Lavras do Sul, segundo análises do Atlas Temático da Bacia Hidrográfica do Rio Camaquã (1998); são elas:

* de bons a regulares para a produção agrícola;
* bons para a silvicultura em algumas áreas;
* sem aptidão para lavouras em regiões rochosas e de pequenas serras;
* propícios para a pecuária e gado de corte;
* propícios para lavouras de arroz nas planícies ocidentais (divisas com São Gabriel e Dom Pedrito);

* Os tipos de solo especiais encontrados em Lavras do Sul são:

* O Planossolo (apropriado para a cultura do arroz, no oeste do município);
* O Podzoico (encontrado em regiões frias e úmidas, fértil e utilizado em pastagens; é típico de países como Rússia e Canadá; em Lavras do Sul, ocorre na região do Ibaré);
* O Litossolo (encontrado na porção leste de Lavras do Sul, é raso, rochoso e encontrado junto a rocha).

REFERÊNCIAS: (1) AB SABER, Aziz. Os Domínios de Natureza no Brasil – Potencialidades Paisagísticas. Cotia: Ateliê Editorial, 2003, p. 113.