História

"No fim do século XVIII já havia garimpagem na região. A tradição oral, sem que se tenha algum documento que comprove, conta que nos primórdios da mineração foi descoberta uma grande pepita de ouro com o formato da imagem de Santo Antônio, num remando do arroio Camaquã, que hoje banha a cidade. Por essa razão aquela garimpagem recebeu o nome de Santo Antônio das Lavras ficando como padroeiro da localidade o milagroso santo." (Centenário Lavras do Sul. Comissão Central das Comemorações do Centenário de Lavras do Sul. Bagé: Quadra, 1982).

Segundo a lenda, que pode ter dado origem a cidade, um garimpeiro teria achado uma pepita grande de ouro com o formato da imagem de Santo Antônio, as margens do arroio Camaquã das Lavras. Espalhada a notícia sobre a ocorrência desse mineral na região, muitos aventureiros perceberam a semelhança do solo local com as terras de Mato Grosso e Minas Gerais. Em 1796, a primeira descoberta de ouro em Lavras aconteceu, dando origem ao início da colonização do município e a exploração da mineração aurífera. Há registros de que o ouro do território onde hoje localiza-se o município foi explorado por europeus e canadenses. Embora o povoamento tenha se estabelecido em 1825, além dos ingleses e canadenses, belgas, espanhóis, portugueses, índios e bandeirantes paulistas já estavam na região, atraídos pela quantidade de ouro existente.

As disputas pelas terras conquistadas por Portugal e Espanha originaram tratados de limites como os de Madri e de Santo Ildefonso que tiveram suas linhas determinadas em documentos e posteriormente demarcadas, pois a linha do Tratado de Santo Ildefonso curiosamente faz uma curva sobre o território do município e as linhas dos dois tratados unem-se justamente sobre o território de Lavras, formando assim um vértice histórico.

Lavras do Sul é o único município gaúcho com origem na mineração e na extração de ouro, através de um acampamento mineiro situado as margens do arroio Camaquã da Lavras (um dos cursos d'água formadores do Rio Camaquã, que desemboca na Laguna dos Patos) surgido para a exploração das pepitas de ouro depositadas naturalmente no leito do rio.

Com a exploração aurífera, formou-se um núcleo populacional que deu origem a cidade, desmembrada originalmente das terras de Rio Grande e Rio Pardo. Emancipou-se de Caçapava do Sul, em 9 de maio de 1882, através da Lei Estadual N° 1364. É, por ordem de criação, o 54° município gaúcho.

Por conta do auge econômico da mineração do ouro na década de 1930, a cidade, que atualmente tem cerca de 8 000 habitantes, chegou a ter o dobro da população.

O nome da cidade deriva da divisão de glebas destinadas a mineração (lavra) do ouro. Ao nome "Lavras" adicionou-se a expressão "do Sul", por já existir um cidade denominada Lavras, em Minas Gerais.

Arqueologia

Em 2004, durante um relatório de impacto ambiental para a implantação de um aterro sanitário nos arredores da sede municipal, foram descobertos vestígios de uma pequena ocupação humana de caçadores e coletores de origem pré-histórica, caracterizando-se no primeiro sítio arqueológico descoberto em Lavras do Sul. A responsável por esse trabalho é a professora Gislene Monticelli, do curso de História da Ulbra Canoas. O local, situado junto a estrada para São Gabriel, no “Prado” , tem em torno de cinco hectares de extensão, no topo de uma colina com uma altitude aproximada de 400 metros.

Artefatos de matéria-prima lítica foram encontrados em área aproximadamente plana, junto a algumas rochas (...) (MONTICELLI, 2005). Vários artefatos pré-históricos foram identificados pela arqueóloga, entre os quais lascas, microlascas, projéteis e outros materiais de uma possível “oficina lítica”, que estavam expostos superficialmente, sem que se interferisse no subsolo. Mais evidencias podem ser detectadas em novas oportunidades de pesquisa, com maiores informações e detalhes.

Segundo a Prefeitura, há a possibilidade de o local do aterro sanitário ser alterado, a fim de garantir a preservação do sítio. Com isso, a comunidade lavrense poderá, através de capacitação de professores, visitação de escolas e da comunidade e desenvolvimento de oficinas para fins de preservação do patrimônio, valorizar este tesouro arqueológico que surge em terras lavrenses.

Formação Administrativa

Abaixo, seguem informações retiradas da Biblioteca do IBGE, sobre a formação administrativa e política de Lavras do Sul:

* Distrito criado com a denominação de Lavras, por lei provincial n° 82, de 13-11-1847, criado também por ato municipal n° 16, de 12-10-1896, no município de Caçapava.

* Elevado a categoria de vila com a denominação de Lavras, por lei provincial n° 364, de 09-05-1882, desmembrado de Caçapava. Constituído do distrito sede. Instalado em 28-01-1893.

* Por ato municipal n° 16, de 12-10-1896, é criado o distrito de Jaguari e anexado ao município de Lavras.

* Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município é constituído de 2 distritos: Lavras e Jaguari. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 31-XII-1936.

* Em divisão territorial datada de 31-XII-1937, o município aparece constituído de 2 distritos: Lavras e Ibaré. Não aparecendo o distrito de Jaguari.

* No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, o município é constituído de 2 distritos: Lavras e Ibaré.

* Pelo decreto-lei estadual n° 720, de 29-12-1944, o município de lavras passou a denominar-se Lavras do Sul.

* Em divisão territorial datada de 1-VII-1960, o município é constituído de 2 distritos: Lavras do Sul e Ibaré. Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007.

* A alteração toponímica (nome) de Lavras para Lavras do Sul foi promulgada através do decreto-lei estadual n° 720, de 29-12-1944.

© 2018 - Murilo de Carvalho Góes