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Tradicionalismo

O lavrense é, com certeza, um apaixonado por sua terra. Mesmo morando distante, não importando onde esteja, jamais perde o orgulho de ter nascido no Município.

A cultura gaúcha está bastante presente nos hábitos e costumes do povo de Lavras.

O principal centro de cultura tradicionalista é o CTG Lanceiros do Batovi. Localizado no final da Av. Cel Galvão, próximo ao acesso secundário (entrada do Cemitério), o CTG está inscrito na 18a. Região do Movimento Tradicionalista Gaúcho e conta com restaurante típico (buffet com churrasco, no almoço), além de realizar constantes bailes. Foi inaugurado em 11 de junho de 1972 e realiza um grande trabalho de cultivo das tradiçoes do nosso Estado, incentivando-as para crianças e jovens.

Um típico costume lavrense é o uso do cavalo. Muitos peoes podem ser vistos no Município, inclusive na zona urbana, com suas pilchas, botas, guaiacas e trajes típicos que caracterizam estes tipos humanos, que fazem Lavras e o RS possuirem a sua identidade e sua própria cultura.

Sob forte influencia espanhola, argentina e uruguaia, Lavras do Sul adquiriu e conservou (nos seus mais de 200 anos de colonização, mesmo antes de sua emancipação política, em 1882) a típica cultura do Pampa: churrascos de gado e ovelha assados na vala; consumo de chimarrão ao longo do dia; forno a lenha para se aquecer do inverno rigoroso; a famosa sesta após o almoço; a lida (deslocamento do gado, feito pelos peões) de uma estância (grande fazenda) para outra; a típica música gaúcha; os bailes e eventos tradicionalistas; os rodeios e provas campeiras; as atividades no CTG Lanceiros do Batovi; o orgulho e a receptividade do povo gaúcho. Todas as características de uma típica cidade do interior e da Campanha do RS estão fortemente mantidas na Lavrinha.

Quem mora em cidades como Porto Alegre (que possui o Laçador e dois dos maiores locais do tradicionalismo gaúcho, como o Clube Farrapos e o Parque Mauricio Sirotsky Sobrinho, mas boa parte de sua população não os frequenta) acaba, ao visitar Lavras, conhecendo hábitos e costumes completamente diferentes. A carne de ovelha, por exemplo, que é saborosa e diferenciada, começou a ser servida em várias churrascarias e comercializada nos supermercados da Capital há apenas alguns anos; em Lavras, porém, é um elemento indispensável em qualquer churrasco, festa, encontro ou, até mesmo, no almoço ou na janta, há muitos anos.

Outra diferença notável entre o porto-alegrense e o lavrense se dá na questão da linguagem, através, simplesmente, da preposição "de". Pronunciada pelos cerca de 1 500 000 habitantes da Capital gaúcha com a entonaçao "i", ou seja, "di", esta palavra de apenas uma sílaba, com este som, é o suficiente para que um lavrense deduza e reconheça um porto-alegrense. Confira neste diálogo demonstrativo abaixo, uma simulação elaborada pelo autor para mostrar este fato:

PORTO-ALEGRENSE: - O pessoal aqui "di" Lavras é muito legal!
LAVRENSE: - Tu és "dê" Porto Alegre?
(o "de" com o "e" falado forte, de forma tônica, como se fosse escrito com acento circunflexo)
PA: - Sim! Como sabe?
LAV: - Porque tu falaste "di". So pelo "di" já deu pra perceber.
PA: - É mesmo! O Rio Grande parece pequeno e grande no tamanho, ao mesmo tempo, com tantas cidades. Cada uma com seu sotaque, e "di" costumes diferentes
LAV: - Isso mesmo, tche! Voces são inconfundíveis na maneira "de" falar, assim como nós aqui da Lavrinha e de toda a Campanha.

O nativismo - variante de estilo musical gaúcho marcada por letras que exaltam a vida no campo - é bastante difundido no RS, sobretudo nas regiões de fronteira com a Argentina e o Uruguai e em cidades, como São Francisco de Paula, nos Campos de Cima da Serra (nordeste do Estado).

Lavras do Sul, por sua essência e natureza no Tradicionalismo e na cultura gaúcha, projeta diversos compositores nativistas, todos de renome na cena tradicionalista regional, estadual e, até mesmo, nacional. As composições, que refletem temas ligados à lida do gado, ao campo, ao inverno ou até homenagens a Lavras e suas belezas naturais, são reconhecidas e reproduzidas no cenário gaúcho e brasileiro da música produzida no Interior.

A seguir, um resumo de alguns dos principais compositores nativistas lavrenses, nascidos ou de vínculo com o município. As informações são do Blog Roccana, da lavrense Ana La-Rocca (20/09/2008), e do site Zerohora.com (18 de março de 2008).

       * Antônio Augusto Brum Ferreira: Um dos maiores nomes da cultura regional, é consagrado por suas composições vencedoras de festivais (Veterano, Pago Perdido, Entardecer e Santo Criador, entre outras). Muitas de suas obras associam o nativismo com elementos universais. Nasceu em São Sepé e morava em Santa Maria desde 1973, até seu falecimento, no dia em 17 de março de 2008, aos 72 anos. Era agropecuarista, com suas terras localizadas na região do Rincão do Inferno. Seu filho, Mauro, e seu neto, Diogo, herdaram a tradição das composições nativistas dos Ferreira.

       * Mauro Ferreira: Produtor rural e advogado, tem grande colaboração na música regional, através de músicas, composições poéticas e instrumentais e interpretações de canções nativistas. Venceu diversos festivais e compôs letras em parceria com Luiz Carlos Lopes. Morocha, Baile de Fronteira e Louco por Chamamé são alguns de seus maiores sucessos. Seu filho, Diogo, já segue os passos do pai, elaborando versos nativistas de igual beleza.

       * Edilberto Teixeira: Já falecido, também é outra importante referência na poesia nativista, premiado em dezenas de festivais. Diversos artistas gravaram suas letras (como Leopoldo Rassier, César Oliveira e Rogério Melo e Wilson Paim). Seu neto, Edilberto Teixeira Neto (Betinho) também já se destaca na poesia nativista.

       * Gujo Teixeira: Um dos maiores letristas nativistas na atualidade, é conhecido em nível regional e nacional por seus versos relacionados à vida na estância e no campo. Suas inspirações para as letras vêm do próprio dia-a-dia rural, em sua moradia na estância São Jorge das Cordilheiras, interior do município. Mantém parcerias com intérpretes, como Luiz Marenco; seus bem apurados álbuns Batendo água e Quando os versos vem pras casa, interpretados por Marenco, Gustavo Teixeira e outros artistas, com diversas composições de sua autoria, alcançaram um grande número de cópias vendidas e muito sucesso no sul do Brasil. Casado com Anita La-Rocca, tem duas filhas: Guilhermina, que completará 4 anos em 2008, e Betânia, 1 ano e meio (completará 2 em 2009).

       * Gustavo Teixeira: Um dos maiores intérpretes e maiores compositores da música tradicionalista gaúcha. É o autor de Resto de Fronteira, que, juntamente com os hinos dos blocos carnavalescos VG e Relaxados, é a música que mais identifica Lavras. Os versos mais marcantes dessa composição são:

...Com o "permisso" das palavras
Cá neste rincão de Lavras
Se sente o gosto da vida...

       * Zé Renato Daudt: lavrense (não nascido, mas de coração), também é um renomado e premiadíssimo compositor de versos nativistas. Leva em suas letras as características e costumes da cultura do nosso Estado.

       * Outros compositores: Devemos mencionar, também, outros nomes que contribuem, da mesma forma que os citados ao longo do texto, para o enriquecimento da cultura e da tradição das composições e da música nativista em Lavras, como Roger Prestes, Esther Teixeira, Murilo Teixeira e Didi Teixeira. Para sugestões de acréscimo de outros nomes de compositores lavrenses nesta seção, é só mandares a tua através do e-mail ligoes@uol.com.br.

Concluindo, Lavras do Sul, além de ser a eterna "Terra do Ouro", por que não pode, modéstia à parte, ser considerada também a "terra dos compositores nativistas"?

Vocabulário

Lavras do Sul possui um sotaque que é característico das regiões de fronteira do Brasil com a Argentina e o Uruguai. Quase todos os habitantes da cidade se comunicam através de uma linguagem com a vogal "e" carregada em algumas palavras, especialmente em preposições e pronomes terminados nesta vogal, como se fosse "ê". Exemplos: "Eu sou 'dê' Lavras", "Tudo 'dê' bom pra ti", "'Mê' traz um mate, filho!".

A cidade possui um vocabulário próprio, com expressões, muitas vezes compreendidas apenas por quem vive na cidade, ou então, típicas da Campanha e da Fronteira Oeste do RS. Vejamos algumas delas:

Atochar: inventar, mentir.

Atracar: ir direito a algo, com rapidez e muita vontade (expressão muito utilizada para quem está com muita fome e quer se servir com rapidez).

Borracheira: bebedeira, porre, excesso de ingestão de álcool;

Corpo: homem ou mulher atraente, que apresenta potencial para namoro ou rápidos relacionamentos amorosos.

De capa: bonito, lindo, bem produzido.

Gaitada: risada forte.

Gororoba: bebedeira.

Mate: chimarrão.

Mateada: reunião de pessoas para beber chimarrão; roda de chimarrão.

Variação: ato de fazer ou falar besteiras, com o propósito de se divertir; gíria local muito utilizada pelos jovens.

Como toda cidade do interior, Lavras possui as chamadas pérolas, ou seja, frases bem-humoradas e bordões que marcam as rodas de conversa dos habitantes locais, tornando-se inesquecíveis e impagáveis. Veja alguns exemplos (fontes: site Desciclopédia; livro Lavras do Sul, na Bateia do Tempo, de Edilberto Teixeira; e autor do site, a partir da convivencia com lavrenses).

Báá, tchê! Essa terrinha é muuuuito booooooaaa!
Chico das Lavras, dando sua opinião sobre a cidade

Fooooooome!
Arcanjo, figura folclórica da cidade; essa frase é um famoso bordão entre os lavrenses

E o Sadi? Diz que não tem!
Frase de caráter coloquial entre os jovens

É um povo chato de galochas...
Opinião jocosa dos integrantes dos Relaxados sobre os do VG

Mogango quando nasce,
se esparrama pelo chão
Relaxados quando joga,
erra a bola de montão!

Verso feito por integrantes do VG para os Relaxados, durante o Torneio Interblocos, um dos maiores eventos de verão do Município

Será que tinha algo para levar?
Frase folclórica dos lavrenses, sobre os assaltos

Relaxa, Relaxa! Forte meu bem, e cai na folia comigo também!
Refrão do hino do Grupo dos Relaxados

Quinquinquera de Latincuera!
Saudação do Vai de Qualquer Geito, usada por seus integrantes por muitos anos, as vésperas do Carnaval, com o objetivo de "invadir" as casas dos integrantes para levá-lo a participar de atividades do bloco

Vem te metê!
Tu te animou?
Ora, vaca moura!
Expressões coloquiais típicas de Lavras do Sul

Para sugestões de regionailsmos e expressões típicas de Lavras para inserção nesta página, contribua através do e-mail ligoes@uol.com.br.

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